segunda-feira, 6 de abril de 2015

Entrevista
Adriane Garcia

Ela dispensa apresentações. Adriane Garcia acaba de lançar seu 2º livro apenas, mas já é um dos nomes mais celebrados da poesia contemporânea. Nesta entrevista ela mostra porque, além de dar uma aula sobre consciência poética. Confira:


T&QP – Adriane Garcia, fale-nos um pouco sobre você?

Adriane GarciaNasci em Belo Horizonte, tenho 41 anos, sou funcionária pública federal e sou graduada em História pela UFMG e pós-graduada em arte-educação pela UEMG.


T&QP – Como é ser mãe e poeta? Você gostaria de ver uma filha se tornar poeta?

Adriane GarciaSer mãe e ser poeta são atividades que se interpenetram. A maternidade dá uma profundidade ao olhar, pelo menos ao meu deu. Eu passei a olhar as outras crianças de uma forma muito mais solidária depois que fui mãe. E a poesia, ao menos a minha, se alimenta da solidariedade. Se minhas filhas se tornam poetas, acho lindo isso porque estimulo nelas todas as artes e creio que trabalhar a palavra com mais consciência e imaginação é algo de boa semente no mundo. Mas deixo que elas sejam o que quiserem, desde que não façam mal ao outro.


T&QP – Adriane Garcia acredita em Deus? Você é religiosa?

Adriane GarciaSou panteísta. Meu Deus é uno, cósmico, total. Sou extremamente religiosa, apesar de não ter religião.
 

T&QP – Vamos falar de literatura? Como a poesia entrou em sua vida?

Adriane GarciaNum livro de Cecília Meireles, quando aprendi a ler. Ou Isto ou Aquilo. Encantei-me com a música que havia neles. As palavras cantaram e eu já gostava de magia.


T&QP – Você escreve algo além de poesia?

Adriane GarciaSim, tenho dois livros de contos, inéditos, que um dia publicarei. Vou mexer mais neles. Tenho um infanto-juvenil de prosa, um infantil em versos e quatro de dramaturgia infanto-juvenis.


T&QP – Quem te acompanha sabe de sua admiração por João Cabral de Melo Neto. Como você explica a influência dele em sua obra?

Adriane Garcia Não posso dizer que a influência dele em minha obra seja notável, porque me considero mesmo uma aprendiz e que ainda não alcancei um trabalho de tanta consciência com a palavra. Mas considero que sua influência existe em cada poema que reescrevo, porque é quando reescrevo que meço e domo. Não gosto de excessos de adjetivações, excesso de advérbios, principalmente os de modo. Procuro uma poesia que faça sentir, mas que, principalmente, faça o leitor visualizar. E esta força é do substantivo e do verbo.


T&QP – Em 2013 o seu Fábulas Para Adulto Perder o Sono venceu o Prêmio Paraná de Literatura. O que isso mudou para você? Na sua visão, quão importantes são concursos como esse?

Adriane GarciaMudou quase tudo o que tem a ver com visibilidade. O que estes concursos fazem, e no caso o Prêmio Paraná é de completa lisura, é revelar o autor ao meio literário. E isso é muito importante. Escritores que publicam seus trabalhos querem ser lidos e a afirmação contrária é absolutamente absurda.


T&QP – Você acaba de publicar mais um livro, O Nome do Mundo. Que Adriane Garcia o leitor vai encontrar neste novo trabalho?

Adriane GarciaDensa, séria, reflexiva e que convida a pensar o mundo, não o meu, o dele através do que olho no meu.


T&QP – Você é muito admirada por ser dona de um estilo peculiar de poesia. Você tem a real dimensão da influência que você exerce sobre outros poetas?

Adriane GarciaNão tenho esta dimensão. Minha poesia procura comunicar, por isso é clara e objetiva. Ao mesmo tempo, tento não perder elementos que fazem dela poesia, como gênero. Não quero negar a tradição, nem ficar repetindo o que não cabe mais neste tempo. E também não quero inventar um idioma que nasce apenas da minha vontade.
“Não serei o poeta de um mundo caduco./ Também não cantarei o mundo futuro./Estou preso à vida e olho meus companheiros.”
Outro dia Carlos Felipe Moisés falou algo que considerei genial: há grande diferença entre o novo e o estranho.  Pois é, o novo me interessa, traz raízes, nasce de algo. Eu nasci de algo. O estranho me é totalmente alienígena e não me interessa como projeto.


T&QP – Como você vê a poesia de hoje? É possível determinar uma corrente dominante na poesia contemporânea?

Adriane GarciaNão creio que haja correntes de domínio. E aqui estou falando de poesia contemporânea apenas de nosso país, que é o que está mais perto de mim e eu poderia falar alguma coisa, sem pretender a verdade, mas uma reflexão. O que há, sem dúvida, são grupos e grupo dominante. Mas aí não é uma questão apenas de poesia, mas uma questão de política, que envolve, muitas vezes, tudo o que o alcance do poder envolve. A poesia contemporânea é, no seu conjunto, e só poderia ser, o reflexo do mundo contemporâneo: diverso, caótico, líquido, perdido, vulgar, vazio, consumista, desesperado. E na resposta à imersão neste mundo, a poesia é construção, destruição e, por vezes, resistência.


T&QP – Na sua visão qual deve ser o papel do poeta na sociedade?

Adriane GarciaFazer sentir e ver. Chamar a pensar. Oferecer beleza num mundo feio. Oferecer um mundo feio para o mundo feio se ver feio. Encantar pela Língua.


T&QP – Defina Adriane Garcia.

Adriane GarciaAlguém que ama. Muito.


T&QP – Defina a obra de Adriane Garcia em uma palavra.

Adriane GarciaComunicação.


T&QP – Que mensagem você gostaria de deixar para a posteridade?

Adriane GarciaCuidem das crianças.


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Você pode acompanhar a autora na web pelo


Blog: Adriane Garcia            ou             Facebook : Adriane Garcia

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