sábado, 9 de agosto de 2014

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Jan Veth (auto-retrato)

Apenas um homem
com febre de versos:
minha sã imagem
nua até aos ossos.

- António Barahona 
(poeta português)

quarta-feira, 6 de agosto de 2014




na escuridão vazia
                   caminho para o teu longe
perdido.


                                      tu luas sobre mim.
eu te encontro-me.




JM della Rosa

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014


Que beleza, não? Se é preto pode prender, que é tudo bandido. Preto é tudo igual. Aliás, o tal bandido cometeu o crime hediondo de roubar uma bolsa. Isso não se pode perdoar. Se fosse coisa pouca, como um desviozinho de alguns milhões, a gente até que fazia vistas grossas, ou quem sabe, uma vaquinha. Mas uma bolsa! Aí não dá! Ainda mais sendo preto.
E um caminhão de sorvetes perde-se e capota, matando imediatamente duas pessoas. Que sorte! Sorvete pra todo mundo! Dançando em cima da tragédia, "a população" em bando, como urubus ávidos sobre a carniça do que se foi, avança sobre o despojo, saqueia, corta o caminhão a machadadas, cospe na cara da família que sangra. Se fosse um preto roubando um pote de sorvete... Mas muitas pessoas juntas não é crime, não é errado, não há punição...
Porém, o mais legal de tudo mesmo é a comoção nacional que causaram as camisetas da Adidas. Ah! Alemães miseráveis! São todos uns nazistas! Onde já se viu... Até a nossa "presidenta" entrou na briga, repudiando essa difamação. Afinal, no nosso país não existe carnaval - e como não existe talvez você não saiba: carnaval é aquela festa onde todo mundo bebe e faz sexo com todo mundo, aquela festa onde as mulheres dançam nuas, "protegidas" por minúsculos tapa-sexos, e não é atentado violento ao pudor nem nada; é tudo lindo, vendido e noticiado, e os governos gastam milhões em marketing para atrair turistas estrangeiros (inclusive aquele alemães xenófobos e aqueles americanos superiores) para apreciar o principal produto do país: a bunda - no Brasil também não há funk, com mulheres de fio dental empinando e rebolando suas nádegas "até o chão" ou esfregando-as nas caras de quem quiser subir ao palco, com letras que tratam as mulheres não como um simples objeto; não, tratam como papel higiênico usado, como um trapo imundo. No Brasil não há prostituição infantil, nem garotas sendo vendidas pelos pais por um prato de comida; no Brasil não há corrupção, não há favelas, não há drogas. Nem futebol. Então, de onde é que os alemães tiraram essa ideia? A imagem de nosso país lá fora não é essa. Pergunte a qualquer estrangeiro. Ele lhe dirá que o Brasil é um país de povo culto, sem analfabetismo, sem fome, sem miséria, com um excelente sistema de saúde, com trabalho digno para todos. Que o Brasil é um país sério, que aqui não existe "jeitinho" e que todas as mulheres se respeitam, e não exibem seus corpos seminus, esculpidos na academia ou na clínica plástica, pelas ruas. No Brasil ninguém dança funk. Afinal, o que é que esses alemães (ou americanos, tanto faz, estrangeiro é tudo igual, é tudo gringo) têm na cabeça?
Resta um consolo. Quando eles chegarem aqui, para a copa, verão que é tudo diferente. Quem sabe a imagem de nosso país muda, não é?

E viva o país da copa!


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014



Versos doces e amáveis, com sentimentos intensos, de um lirismo predominante. A poetisa mineira Ana Angélica Bruni, que acaba de lançar seu primeiro livro, "Palavras e Lágrimas" (2013 - Editora Sucesso), encanta seus leitores com a beleza de seus poemas. Conheça um pouco mais desta promessa da nova geração.
por J.M. della Rosa



"Através dos versos faço uma viagem além da minha imaginação.
Devaneios perfeitos. Gosto desta fuga do real para o surreal."

T&QP – Quem é Ana Angélica Bruni?

Ana Angélica Bruni – Tenho 34 anos e moro na cidade de Pará de Minas no estado de Minas Gerais. A vida me impulsiona a subir degraus. Resgato na suavidade de viver a aliança de poder fazer o que gosto e buscar sempre um novo aprendizado diante as incertezas.  Sou mãe de um lindo garoto com olhos de jabuticaba de nome Jhonatan Bruni Marçal, com idade de oito anos. Filho amado. E é diante destes olhos negros que eu encontro alento para ser sempre esperançosa diante de qualquer obstáculo.


T&QP – Qual é a sua profissão?

Ana Angélica Bruni – Sou professora de Língua Portuguesa, formada pela Fapam – Faculdade de Pará de Minas. Fiz licenciatura por acreditar que o futuro está nas mãos de quem passa conhecimento. Leciono desde o ano de 2010 e minha primeira experiência profissional foi em uma escola estadual. Lecionei inglês na Escola Estadual Fernando Otávio em 2010. Foi meu primeiro contato com o educando.  Fazer letras foi uma realização profissional em que as lembranças do tempo da faculdade ainda retornam e me fazem me sentir aluna ainda. E entendendo que sempre serei aluna; compreendo que sempre estarei a aprender para ensinar.


T&QP – Você gosta do que faz?

Ana Angélica Bruni – Há três anos leciono. E posso dizer que meu paladar está bem mais apurado que no primeiro dia em que lecionei. Sim. Amo o que faço. É essencial que façamos o trabalho com amor. Somente assim poderemos atingir resultados positivos na educação.


T&QP – Por que você escolheu Pará de Minas para viver?

Ana Angélica Bruni – Pará de Minas é conhecida como capital do frango e do suíno porque apresenta grande produção desses animais. Desde pequena vivo nesta cidade. Aqui conheci minhas avós e avôs, cresci junto aos meus sete irmãos. Da infância pobre a vida adulta cheia de conquistas. Estar viva por si já é uma conquista prazerosa degustada todos os dias. Em Pará de Minas estudei desde as séries iniciais até a faculdade.


T&QP – Ana Angélica acredita em Deus?

Ana Angélica Bruni – Acredito fielmente em Deus. Acredito na grandiosidade da nossa existência. E sendo humana e possuidora de tantas fraquezas, acredito em um Deus que nos faz sábios e capazes de distinguir ações ruins de boas.


T&QP – Você tem religião?

Ana Angélica Bruni – Eu sou católica. Vejo a religião como essência do ser humano. Buscamos sempre entender a nossa existência e essa capacidade única de dominar o raciocínio.


T&QP – Falando de sua carreira, quando você começou e o que te levou a escrever?

Ana Angélica Bruni – Quando terminei a faculdade comecei a escrever pequenos poemas. Pequenas narrativas. Gosto muito da forma lírica de escrever. Mas foi conhecendo escritores contemporâneos que comecei a escrever com mais freqüência.  Este espelho literário nos faz querer ver o reflexo da nossa poesia no outro. “E foi assim que em 2013 surgiu minha primeira obra” Palavras e Lágrimas.


T&QP – Quem é que te inspira?

Ana Angélica Bruni – Tudo ao meu redor me inspira. Desde o grotesco barulho dos carros, ao doce voo de um passarinho. Fazer poesia me fez ver o lado rebuscado da vida, mas também me fez ver e entender o mais singelo .


T&QP – Além de poesia, o que mais você escreve?

Ana Angélica Bruni – Escrevo pequenos contos. Ainda não arrisquei a divulgá-los. Mas este ano de 2014 tenho novos projetos para o público infantil.


T&QP – O que você mais gosta de escrever?

Ana Angélica Bruni – Gosto de escrever poesia. Através dos versos faço uma viagem além da minha imaginação. Devaneios perfeitos. Gosto desta fuga do real para o surreal. As figuras de Linguagem me encantam. Esse escrever perpetuando os significados.


T&QP – Qual é o seu trabalho preferido?

Ana Angélica Bruni – Muito difícil escolher um trabalho preferido. Cada poema que escrevi ficou em minha mente e coração. Fazem parte de mim. Mas tem um que tenho muito gosto por ele. E é tão simples, mas ao ouvi-lo através da recitação de um amigo e poeta, Fábio Kerouac, apaixonei por esse poema.



Segunda- feira


Chegou a hora segunda-feira é agora.
Momento de abrir as cortinas.
De fazer a faxina.
Mandar a preguiça embora.

Chegou a hora segunda-feira é agora.
O sol já surgiu.
Com ele novas esperanças.
Novas expectativas de um dia positivo viver.

Chegou a hora segunda-feira é agora
Momento de novamente fazer o bem
Sem olhar as faces.
Fazer o bem em qualquer parte.

Chegou a hora segunda-feira é agora...



T&QP – Quais são seus projetos atuais?

Ana Angélica Bruni – Projeto atual é fazer uma obra com temáticas diversas com o escritor Bruno Borin Boccia. E finalizar o projeto do livro infantil.


T&QP – O que você pode nos contar sobre esse parceria?

Ana Angélica Bruni – Bruno Borin Boccia é um amigo que sempre esteve presente na minha vida literária. A sua gentileza de ser amigo está presente em minha primeira obra com a escrita de um prefácio maravilhoso. Sinto-me feliz em poder escrever uma nova obra em companhia de um escritor tão talentoso. Essa união da escrita é dose exata para balançar os versos. Ainda não definimos o título da obra, mas as temáticas serão diversas. O livro abraçará o lirismo, mas com dose da força dos versos com que Bruno sabe conduzir. Escrever poemas com Bruno Borin Boccia é fantástico. Uma sintonia perfeita.


T&QP – Em se falando de literatura, qual a sua expectativa próxima?

Ana Angélica Bruni – A literatura é como uma máquina a vapor. O escritor transmite ao leitor o conhecimento através das linhas e isso é mágico. A expectativa que tenho é que possamos nós educadores formar novos leitores.


T&QP – Você acaba de lançar seu primeiro livro. Como foi essa experiência?

Ana Angélica Bruni – Acabo de Lançar “Palavras e Lágrimas”. O meu primeiro filho nasceu. E tem sorriso no rosto. A experiência é única e verdadeira. Ver os versos no livro foi uma alegria imensa para meus olhos.


T&QP – O que o leitor vai encontrar em “Palavras e Lágrimas”?

Ana Angélica Bruni – Vão encontrar uma forma lírica de ver tudo ao redor. E é através das palavras introduzidas nos versos da obra que danço como bailarina em várias retinas.


T&QP – Você pretende lançar outros livros?

Ana Angélica Bruni – Sim. Tenho mais sonhos. Acredito que sonhar me faz viver com alegria. O principal projeto é concretizar a obra com a parceria de Bruno Borin Boccia.


T&QP – Quais são seus projetos para o futuro?

Ana Angélica Bruni – Futuro é incerto, mas nele depositamos sonhos. E o livro para o público infantil é um futuro que gosto de sonhar.


T&QP – O que você acha da poesia contemporânea?

Ana Angélica Bruni – A poesia contemporânea veio para modificar a linguagem.  Chamar a atenção para o novo.  Essa nova poesia vem aguçando muitos leitores críticos. Como educadora os clássicos permanecem, mas é bom assimilar os clássicos com a contemporaneidade.


T&QP – Que papel a educadora e poetisa acha que desempenha a internet na divulgação da nossa literatura?

Ana Angélica Bruni – Esse veículo de informação chamado internet é fascinante. O bom seria se todos buscassem uma leitura de qualidade. Nem sempre nossos filhos e alunos optam por uma boa leitura. Mas mesmo assim acho que a internet tem sido veículo importantíssimo para veicular textos literários.


T&QP – Como você acredita será o futuro da poesia?

Ana Angélica Bruni – Penso que o futuro da poesia está na mão do poeta.  O poeta conduz a poesia. Mas ser poeta não é escolha, é dom.


T&QP – Defina Ana Angélica.

Ana Angélica Bruni – Sou mulher de sentimentos a flor da pele. Emociono-me facilmente. Mas nem sempre sou assim. Possuo um lado também muito inquieto. Posso dizer que tenho lados opostos como o bem e mal. Adoro ler e escrever. Adoro tudo que envolve literatura. Aprendi amar literatura através de Carlos Drummond de Andrade recitando no ensino médio o poema Quero.


T&QP – Defina a obra de Ana Angélica em uma palavra.

Ana Angélica Bruni – Doçura.


T&QP – Que mensagem você gostaria de deixar para a posteridade?

Ana Angélica Bruni – Ler é dar vida aos nossos olhos. Cegos ficam apenas aqueles que não conseguem ver nas letras sentidos distintos de ser feliz.


T&QP – Para finalizar, onde o leitor pode acompanhar Ana Angélica?


Ana Angélica Bruni – Tenho uma página no facebook: Palavras e Lágrimas.

*

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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

O poema "A Sombra das Amoreiras"  foi selecionado entre os trinta vencedores do concurso "A Palavra em Prisma 2013". 


             



As mulheres estendem roupas

alvas e limpas sobre os varais.
Meninos empinam suas pipas
enquanto à sombra das amoreiras
o chão tingido de negro e roxo
ameaça colorir qualquer
que por ele se atreva caminhar.

Teus cabelos morenos
escorrendo sobre os ombros
estudadamente desarrumados
exalam o perfume das primaveras
e me cativam a este chão
de onde posso, ao longe
te aspirar.



Você pode ver a lista com todos os vencedores aqui: http://www.guarulhos.sp.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=13980%3Aconcurso-a-palavra-em-prisma-divulga-selecionados-para-antologia&catid=38%3Aoutras-noticias&Itemid=56




quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Novidade!

A partir de agora Toda & Qualquer Poesia abre espaço no blog para maior divulgação de poetas e escritores contemporâneos, aqueles que fazem hoje a nova literatura de língua portuguesa, seja a brasileira ou de outros países lusófonos. Há pouco espaço na mídia convencional para estes. Pretendemos assim fazer a nossa parte, abrindo um canal para se melhor conhecer nossos artistas. E para começar, nada melhor que uma poetisa de extremo carisma: Lena Ferreira.


''Nem tudo o que escrevo, vivo
mas vivo tudo que escrevo (enquanto escrevo).''
Carioca feliz de sorriso cativante. Uma pessoa de bem com a vida e sempre otimista. Poetisa da mais alta qualidade, seus versos embriagam nossos olhos diariamente no Facebook.  Esta é a imagem que tem quem vê Lena Ferreira, autora do livro de poemas "Entre Sonhos" (2011, Utopia Editora). Mas para que você conheça melhor a pessoa por detrás dos poemas, nós entrevistamos a talentosa poetisa.


T&QP – Fale um pouco sobre você e suas crenças. Quem é Lena Ferreira?
Lena Ferreira – Meu nome é Marilene Ferreira de Oliveira, mas desde sempre, chamam-me de Lena. Tenho 45 anos, estreados em 08/7 no Rio de Janeiro onde moro desde então. Casada, tenho dois filhos, meninos. Sou professora por formação embora não reja uma turma há tempos. Creio num Deus que independe de templos ou ritos para manifestar sua graça. Creio que Ele habita em mim e minha função é zelar por esse templo composto por mente e corpo e isso independe de religião.

T&QP – Quando você começou a escrever?
Lena Ferreira – Fui alfabetizada cedo e a curiosidade despertou o gosto pela leitura. Com 13 anos, atrelada à imaginação fértil, escrevia redações primárias que minha primeira professora incentivava e me estimulava a ir além. Brindou-me com livros e livros que devorava e quanto mais o fazia, mais criava. Seu nome, Margarida Alves, saudosa...Já adolescente, fui apresentada a Camões e me encantei-me pela sonoridade das rimas e suas palavras rebuscadas me apresentaram a um amigo que prezo muito: o dicionário. Talvez daí tenha surgido a paixão pelas palavras e a poesia em si em mim.

T&QP – O que te levou a escrever?
Lena Ferreira – Talvez o que leva a muitos a recorrer à escrita; o fato de não conseguir verbalizar o que sentia. Poemoterapia, a princípio. (risos)

T&QP – Quem é que te inspira?
Lena Ferreira – Dizer quem ou o que me inspira é vasto. Leio um poema de Cecília, um soneto de Florbela, um texto de Clarice, uma frase de Buda, vejo uma imagem, ouço uma história, vivência alheia, música; se me toca, escrevo. Não necessariamente o que eu vivi. Tenho uma frase que me justifica: ''Nem tudo o que escrevo, vivo mas vivo tudo que escrevo (enquanto escrevo).''

T&QP – Que tipo de poesia você faz?
Lena Ferreira – Ultimamente, tenho me aventurado pelas praias da prosa poética, curta, em recortes cotidianos e intimistas, mas me arrisco nos sonetos embora não seja purista...

T&QP – O que você mais gosta de escrever?
Lena Ferreira – Estou sempre aberta a possibilidades e experimentações, não tenho preferência por estilo literário. Poesia, poema, prosa, soneto, terceto...O que importa é esvaziar-me daquilo que preenche o leitor pois creio na máxima de que ''o poema, depois que nasce e é posto na ''rua'', deixa de ser de quem o escreveu, passando a ser de quem o leu.'' É do leitor a interpretação dos signos. É o leitor que dá o sentido à leitura, independente do que o escritor quis dizer.

T&QP – Qual é o seu trabalho preferido, aquele pelo qual você tem um carinho especial?
Lena Ferreira – Escolher um trabalho preferido seria como escolher um filho preferido...E em se tratando de poemas, tenho muitos filhos prediletos mas deixo este que, talvez, represente bem toda prole.

 "Maresia"

Dormi com tua voz roçando meu pensamento
em sussurros desavisados espasmódicos 
lançando-me às paredes inaudíveis 
dos quatro cantos de minha alma eufórica
Delirante, cavalguei por madrugadas 
- em sonhos ou seria realidade? - 
somente eu sei o que senti naquelas horas 
onde tu vinhas e roubava-me o descanso
Ah...Se tu soubesses o efeito que causaste 
- da inoperância da razão na minha mente - 
farias muito mais do que fazes agora
Adentrarias no meu canto assim, silente, 
silenciarias o meu verbo com um beijo 
e soprarias maresia em minha pele.


T&QP – Você já recebeu prêmios literários. Gostaria de citar alguns?
Lena Ferreira – Em 2010, a Editora Utopia da poeta Larissa Marques, através da comunidade do Orkut, o BAR DO ESCRITOR, lançou um concurso nas categorias PROSA e POESIA onde o vencedor de cada estilo teria sua obra publicada no ano seguinte. Tive, então, o privilégio de ter meu primeiro livro solo de poesia publicado como prêmio em 2011, ENTRE SONHOS.

T&QP – Como foi a experiência de lançar um livro seu?
Lena Ferreira – Lançar um livro é como ver um filho sair de casa ao mundo. Sabemos o que tem de nós nele mas não como vai ser recebido lá fora e essa expectativa é deliciosa.

T&QP – Quais são seus projetos atuais?
Lena Ferreira – No momento, trabalho no projeto itinerante Brincando com as Letras com alunos do primeiro segmento do ensino fundamental visando estimular a leitura e a construção de textos de maneira lúdica, incutindo desde cedo o prazer pela leitura e estimulando a criatividade na escrita a partir de imagens, jogos e contação de estórias.

T&QP – Em se falando de literatura, qual a sua expectativa próxima?
Lena Ferreira – Recentemente, recebi o convite do Clube dos Autores para publicar meu trabalho. Estou trabalhando nisto no momento.

T&QP – Quais são seus projetos para o futuro?
Lena Ferreira – A curto prazo, concluir a seleção de poemas para o segundo livro e quem sabe um terceiro. A longo prazo, implementar uma biblioteca de poesias com acesso livre a todas as idades aqui no meu bairro.

T&QP – O que você acha da poesia contemporânea? 
Lena Ferreira – Aprecio toda e qualquer poesia, todo estilo, desde os clássicos, rebuscados e mofados, como dizem uns, mas a contemporânea é mais instigante pelos recursos linguísticos utilizados, pelas possibilidades e dentro dela, o estilo que mais me atrai é o hermetismo, onde as metáforas reinam. As obras de Manoel de Barros e Leminski sempre me dão asas.

T&QP – Como você acredita será o futuro da poesia?
Lena Ferreira – Creio que a poesia ganhou força com a divulgação ampla de novos poetas através da web, e daí, retomou espaço nos salões e praças em saraus e encontros livres contagiando os passantes. É como um germe e não há, acredito, quem seja imune a ela. Em breve, a máxima de que só poeta lê poesia, virá por terra.

T&QP – Defina Lena Ferreira.
Lena Ferreira – Lanço mão da poesia para tentar definir-me, embora seja uma tarefa inglória:

Nasci com algumas vírgulas; no impulso 
exclamações dançam na ponta da língua 
e as interrogações, num ato convulso, 
saltam da boca com a saliva à míngua

Às vezes, os hiatos tomam meu posto 
e, assim como as vírgulas, de tempo em tempo, 
parênteses e aspas, a contragosto, 
explicam o que logo se esvai com o vento
Esses detalhes, conto eu em displicência 
sem intenção de comover quem quer que seja 
pois, normalmente, vou espalhando reticência 
onde o bendito ponto final, seu posto almeja
"POEMEU" – nov.13

T&QP – Defina a obra de Lena Ferreira em uma palavra.
Lena Ferreira – Intimista.

T&QP – Que mensagem você gostaria de deixar para a posteridade?
Lena Ferreira – Leia, leia, leia. Seja qual for o estilo literário, os benefícios que a leitura traz para a mente, são incontáveis e, no mínimo, viajamos sem sair do lugar..

T&QP – Para finalizar, onde o leitor pode acompanhar Lena Ferreira?
Lena Ferreira – Meu blog mais recente é o PARESCÊNCIAS: www.parescencias-lenaferreira.blogspot.com.brPublico com certa frequência também no RECANTO DAS LETRAS: http://www.recantodasletras.com.br/autores/lenaferreiraAgradeço e parabenizo Toda & Qualquer Poesia pelo espaço e pela oportunidade, mais uma vez, de divulgar o meu trabalho e um pouco mais de mim. Um grande abraço.
*

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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013




Pátria pródiga, povo próspero. Pátria pérfida, povo pobre.
Parcas profetizam problemas, profetas predizem pestilências.
Prognósticos pessimistas para país penso pelo poder.
Pátria permissiva, promete progresso prodigioso pelo pré-sal
produz para poucos patrões, prolifera paradigmas pro povo.
Pobre povo pedinte, pede pão, pede proteção, pede pinico.
Povo passivo, pacificamente pede por parlamento preparado
por políticas públicas para pacificar, para proteger
pede por projetos potenciais para periferia
por privada parceria para promover palco, poesia, pintura.
Parlamento pútrido, parcimonioso, pragueja:
Política pública pra pobre? Picasso pro povo?
Pra pobre, pão. Pro povo, pinico.
Playground pra pequeno pobre? 
Pra prole pobre, pipa, pega-pega, 
pica-pau, pernalonga, presuntinho, patolino, pateta...
Pobre pode pedir petiscos, picles, pistache, picanha?
Pobre pode pedir polenta, pode pegar piolho.
Porque pobre pede picadeiro? Povo palhaço, pedante...

Pátria piegas, parlamentares preguiçosos.
Povo pisado, perturbado, peleja por pedidos: protesta, passeia, paralisa!
Povo protesta porque? Povo protesta por plebiscito?
Plebiscito!? Pretexto para presidente, para partido perpetuar poder.
Povo protesta pela pátria, povo protesta pelo país.
Povo protesta por passagem, por preços, por posto.
Povo protesta para parar preconceito
povo protesta para parar PEC.
Povo pede polícia, pede professor, pede para participar.
Peregrinando pelas pistas, povo pede pelo presente, povo pede pelo porvir.

Protestos param país. Protesto pode parar país?
Paraná protesta. Pernambuco protesta. Protesta Paraíba.
Paulista protesta? Paulista para Paulista por protesto.
Paulínia, polo petroquímico, protesta. Pacaembu protesta
Pedreira protesta, Piracicaba, Pindamonhangaba! País protesta!
Polícia prende participantes. Preso político pode.
Pergunto: Pode prender político? Pode prender parlamentar processado?
Pode prender prefeito possado? Pode prender procurador procurado?
Pode prender padre pedófilo? Pode prender pastor pedinte?
Parece... Pode prender pobre, pode prender preto, pode prender pivete.
Pode prender paupérrimo progenitor, penando por prole pálida
padecendo pindaíba para partilhar parcas provisões.
Pasmado, pede pinga pra passar problemas.
Porre passado, persiste pindura.
Piquenique pra pobre? Paçoca, pipoca.
Podólogo? Pobre pode pagar podologia? Pedicuro pro pobre pé podre.
Prouni porque? Pode pedagogo pobre? Psicólogo, psiquiatra pode?
Pobre pode postular? Profissão para pobre? Pedreiro, padeiro, porteiro.
Posto? Pharmácia. Pra pneumonia, passa paracetamol. Pra pele? Permanganato.
Político promete pacas! Planalto propõe pacto pela previdência.
Partilhar pode produzir prejuízos públicos.
Pro papai, padrinho político prepara posto. Perece-se pagão, possuindo padrinho?
Prefeitura? Penduricalho pra primos, para parentes próximos.
Prefeito passeia por Paris. Pobre? Pesque-pague.
Piano para proeminente. Pro povo, pagode.

Pelo país? Progresso? Parvoíces...
Patricinhas posam peladas para paparazzi, para Playboy.
Popozudas passeiam pelas praias, poderosas.
Pagaram preço pleno por protuberância plástica para preencher peitos.
Pagaram porque podem, porque pode pagar parcelado pelo perfil panicat.
Perdidos pela paixão pintam paisagens poéticas
plena piracema, pescadores pescando!
Placas para proteção pedem “pare”; placas proíbem parar.
Pra passar precisa pagar pedágio.
Precisa pagar pra parar, pra pernoitar, pra proteger, pra prosseguir.
Premente passarela para pedestres. Paraplégico passa por passarela?
Por passarela passa piloto, passa parteira, passa pobre parida.
Porém, pode pegar peste, perdida pelas pontes.
Protegem puro plágio, pirateiam produtos protegidos. Pirataria perfeita pode.
Posseiros puxam pistola, pegam propriedades particulares
pivetes pedintes pululam pelas praças
pequenos perdidos por Peter, predestinados pelo papa
prostitutas passeiam pelos paralelepípedos para pegar pagantes
policiais pedem peita para permitir
por pouca patrulha por pudor, pornógrafos putrefazem pessoas
púlpitos prometem paraíso por paga prolixa
pecadores pagam promessas, promovem procissão
para poder pecar persistentemente, paulatinamente
padre profere punição prescrevendo penitência para perdoar pecados
porquanto planta pecados próprios. Padre perdoa próprio pecado?
Psicólogo pode prescrever? Prescreve pena pra político...
Paranóicos piram por pouco; por pouco perde-se pelejas
pacifistas pregam paz; projétil perdido para passante
parceiras prenhes por passatempo para presidiários
presos por pesar pó, por passar pedra pra pirar
produzida pelo perigoso primo peruano, Pablo
pichador polui paredes; progresso polui planeta
placa proclama: “Promoção. Poste padrão pronto.” Preço? Pechincha.
Pôneis processados por perjúrio, publicitário poderoso passa pernoite preso.
Pôncio Pilatos podia perdoar, preferiu passar pro povo
Paulo pregou para Pórcio, para príncipes
Pedro partiu pra peleja. Pedro primeiro papa? Para...
Pergaminhos preservados para posteridade prediziam parousia,
porém poucos percebem prometida presença
Ptolomeu propôs paz, Plínio pesquisou Platão
Patati, Patatá para pajear pimpolhos.
Patrocínio possibilitaria produção poética
potentados preferem promover patrícios
povo planta pomar, praga põe pra perder
povo pobre procura por pão podre, 
prepotente promove pancadaria pública
professor percebe pagamento pequenino
paga-se pouquíssimo pelo precioso prólogo
povo pouco pode produzir para proveito próprio
porquanto por pórticos pelo planalto párias partilham PIB.
Pai, perdoa! Piedade, Pai!

País pitoresco, paternalista, paraíso perdido pra político.

Pátria, pare.
Pátria, pense.
Pátria, puna.
Pátria, proteja.

Poema pronto, paciência
poética perdida pelos profusos pleonasmos.
Preso pelo português, poetastro persevera
produzindo poesia palavrosa, plagiada.

Patético.


- JM della Rosa


 
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