quarta-feira, 23 de maio de 2012


Tenho uma vaga lembrança do mar
Onde as grandes ondas salgadas
Vindas de longe na praia vão quebrar
Trazendo mortas as vítimas afogadas
E vivas as que continuam a se arriscar
Pela coisa que mais amam
As águas do mar que as chamam.

Lá estive ainda era criança.
O estrondo da onda, majestoso
Dá à grandiosidade ar de desconfiança
E também medo do Netuno glorioso
Que pode fazer tempestade da bonança.
Esta é a crença que o marinheiro inventou
Temer a mitos e não ao Deus que o mar criou.

Grande mar, que escondem suas profundidades?
Teus mistérios excitam do homem a imaginação
Que até mesmo crer existir cidades
Como Atlândida, submersas em tua imensidão
E com elas tesouros das mais lindas raridades:
Vivendo entre monstros marinhos gigantes
Sereias que encantam marinheiros viajantes.

Grande mar, defenderás teu sábio Criador?
Mostrarás que estão todos enganados?
Pois quem te fez para ser o inspirador
De poetas que em rimas choram apaixonados
Aquele que te criou em incomparável esplendor
É o mesmo que louvo com estes versos:
Jeová Deus, o soberano do universo.
                         
94? 95?

segunda-feira, 21 de maio de 2012


Hoje é o meu dia.
Agora é o meu momento.
Nada há de me impedir
que eu complete minha saga.
Tenho uma faca entre os meus dentes
e o desejo latente de sair vencedor
corre por todas as minhas veias.
Meus olhos atentos, miram
uma única direção, sem vagueios
sem distrações, sem sonolência.
Minha mente está fixa, lúcida
guiando-me qual bússola capaz
enquanto em meu peito
outrora gélido e inóspito
meu coração arde em brasas intensas.
Respondem meus músculos
pistões descomunais que me conduzem
sem jamais almejar o descanso
até onde estará guardada minha recompensa.
Mas todo o maquinário de guerreiro
só se movimenta por uma força maior
indestrutível, um “poder além do normal”*
que vem de cima e é presente
não consecução.


*2 Coríntios 4:7

21-05-12   07:27

domingo, 20 de maio de 2012


O mundo que se apresenta
não é mais o meu.
Pertenço a lugar nenhum
amigos, não os possuo.
Não me enquadro mais em nada
canto nenhum me cabe.
Sou tudo e sou nada
meu corpo não mais contém meu espírito
a angústia agora exala
por todos os meus poros.
Meu habitat é diferente
estou forçado por estas jaulas
a estar aqui.
O aqui é onde? e muito esconde.
Aqui as bocas não falam verdades
as faces são ocultas por máscaras
e os corações se apressam
em sugar meu sangue
até que dele nada reste
além das manchas que respingaram sobre a roupa.
Meus olhos perderam o foco
e foco é o que nos mantém lúcidos
de modo que não mais consigo
traçar nenhuma rota segura.
Minha alma está vazia
completamente derramada nas folhas
nas telas, entre as teclas, no jardim.
O vírus letal que de mim tomou posse
deletou toda a alegria
corrompeu minhas virtudes
hackeou minha forças.

A vida permanece, contínua, atroz.
A vida ainda passa adiante dos meus olhos
e eu a vejo catatônico de minha janela
sem poder segurá-la
sem poder contê-la ou vivê-la
e o único desejo que me resta
é o de poder acordar.

20-05-12, 19:03

Amanhã serei um gigante
e conquistarei o mundo.
Serei gente grande
e no espanto de quem me encontrar
todos me temerão.
Serei um imperador
e nas raias sinuosas da lucidez
farei do mundo todo
um grande e alegre hospício.
Serei o dono das coisas
e no enorme tabuleiro de xadrez
em que controlarei o jogo das vidas
debater-me-ei em luta comigo mesmo
e superar-me-ei no árduo traçar
de estratégias e sairei vencedor
e as peças, subservientes
aos meus caprichos insanos
cairão diante de mim.
Amanhã serei homem
com asas de anjo
e voarei para bem longe,
onde nem o espaço me pode alcançar,
farei do incógnito subconsciente
minha casa, e do tempo
meu brinquedo particular.
Serei livre, livre de mim
e terei deixado para trás
a melancolia dos sentimentos
e das paixões humanas.
Serei tudo o que as pessoas mais querem
e o que elas mais odeiam
e têm medo de ser.
Amanhã serei mercúrio cromo
nas almas; serei o descobridor
das inocentes e o libertador
delas.
                                       03 e/ou 04/06/96

terça-feira, 15 de maio de 2012


Todos dormem na madrugada amiga
com quem divido meus pensamentos
minhas angústias e tristezas
alegrias poucas, constantes inquietações.

Todos dormem no escuro
e o escuro fica ainda mais escuro
quase palpável e me persegue
como um inimigo oculto
errando entre folhas e janelas.

O silêncio permanece. Um silêncio
quase ensurdecedor, um silêncio
totalmente ameaçador, quebrado
raramente pelas rodas de um carro.

Os olhos almejam ardentemente o descanso
mas a mente em constante ebulição
provoca os sentidos com enigmas
enquanto o sono brinca de pega-pega
e de pique-esconde comigo.

À minha frente o papel
em minha mão a caneta
a alma ansiosa por sair
e se revelar toda, completa.
Porém nada acontece. Nada.

Ficou difícil falar, difícil pensar
elaborar ideias, frases, rimas.
Resultam apenas rabiscos
frases desconexas, ideias incompletas
armadilhas e disfarces do subconsciente
como se houvesse necessário vestir-me
para não aparecer nu aos olhos de todos.

A noite se arrasta escuridão adentro
porquanto tornou-se ainda mais melancólico
o suplício de transcrever amarguras
e eu já me darei por vencedor
se como fruto de um esforço sobre-humano
no final eu tiver conseguido reter
junto a mim a minha fugitiva sanidade.

dez/12

domingo, 13 de maio de 2012

Pega a caneta e o papel
derrama sobre ele o teu fel
e livra tua alma ressecada
da dor, do amargor, da estocada.


Pega a caneta e grita com ela
pois o que se grita como o que se vela
liberta do jugo da consciência
e dá aos olhos a simples ciência.


Pois ainda que tua imagem brilhante
se embace por bem mais que um instante
tua essência ainda permanece inalterada
esperando ainda por ser lapidada.


Enquanto ainda te resta o tempo
escreve ainda que com mui sofrimento
algo que de bom possa ser dito
quando o tempo para ti se tornar finito.


08/06/11 - 22:45


Jailton Matos

sábado, 5 de maio de 2012


Amanhã serão dobras do tempo
impesquisáveis embora voláteis.
Hoje são apenas uma parte
da irresistivelmente complicada
necessidade de viver e conquistar
ainda um mundo de mistério
que seduz essencialmente por ser mistério.
O indisfarçável desejo de ser querido
faz-nos sombras de nós mesmos
escravos de um afeto que às vezes não vem
confusas criaturas de anseios e solidão.
18?19/05/98 0:48


Se olhar à sua volta
verá que não está sozinho
mesmo que assim pareça.
Existem os que te amam
embora não demonstrem
ou demonstrem e seja
você que não perceba.
Não que isto queira dizer muito.
Às vezes não diz nada.
Mas, às vezes é
a coisa mais importante
que poderia existir.
20?21/05/98 0:02

Matos della Rosa

quarta-feira, 2 de maio de 2012


O sapato
de couro que não é couro
mas só lhe imita
é sensação no mundo fashion.

O sapato
é a roupa do pé
e merece todo o cuidado
para permanecer brilhante
lustroso, irretocável.

O sapato
novo, sintético ou não
é o charme discreto
para quem é elegante
e já vem com um calo
de brinde.

O sapato
velho é jogado no lixo
depois de caminhar com seu dono
por tantas estradas
e lhe dar tantos confortos
mas já não presta
está horrível, ridículo
e é achado pelo mendigo sujo
para quem ele é
o sapato mais lindo do mundo.

O sapato
pode ser pisante
botina ou tênis
masculino ou feminino
social ou esporte
chique ou brega.

O sapato
calça os pés, a alma
e os sonhos do homem.

14?15/08/98 0:11

Jailton Matos
Coló

Minha avó é tão antiga quanto a dor
e a dor não a deixa só, jamais.
Minha avó carrega consigo
as chagas do tempo
e histórias tristes de se contar.
O tempo lhe roubou a juventude
a vitalidade e lucidez
e esculpiu em sua face
as marcas dos anos idos
tantos que nem sei contar.
Minha avó é um tesouro oculto
um acervo muito grande
de experiências e sentimentos
é patrimônio da família
dos filhos e do mundo todo.
Minha avó sofreu toda a vida
e na velhice continua a sofrer
com memórias que não posso apagar.
Minha avó é meu amor
meu sonho bom e minha riqueza
um carinho além de toda explicação.
Minha avó caminha de mãos dadas
com o tempo (ambos correm)
em direção ao paraíso.
Minha avó é minha criança.

à Maria Clotildes dos Santos

15(16?)/05/97 02:02
Jailton Matos
 
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